Sigma DP1 - Será que agora vai? (0)

Posted 30 November, 2007 in Equipamentos

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No final do ano de 2006 e durante o ano de 2007 a Sigma alardeou um grande lançamento na área da fotografia. Para aqueles que são exigentes com a qualidade da imagem, mas não querem perder o conforto e a discrição de uma câmera compacta,a empresa japonesa anunciou que iria colocar no mercado a Sigma DP1, compacta com sensor Foveon de tamanho APS-C. Pode parecer pouca coisa, mas isso é muito importante. Pode se tornar o próximo degrau na evolução da fotografia para amadores avançados e até para artistas e profissionais.

Por mais que o consumidor leigo não note, a qualidade de imagem das câmeras fotográficas compactas é apenas aceitável. Embora vários fatores levem a essa baixa qualidade, dois podem ser colocados em destaque. O primeiro deles é o tamanho do sensor. Os sensores que equipam as compactas são muito pequenos e geram imagens muito ruins. Na fotografia vale a regra de que quanto maior o sensor, melhor será a imagem. O segundo fator é a quantidade de megapixels nesse sensor minúsculo. É sabido que a quantidade exagerada de megapixels nos sensores das câmeras compactas é apenas um chamariz para o consumidor e que quanto mais megapixels em sensores do mesmo tamanho, pior será a imagem. Todos levam em conta a definição máxima, quando o que deveria ser levado em conta é a qualidade da imagem gerada. Uma prova de que o consumidor é levado pela ilusão é que câmeras compactas com 8 ou 10 megapixels vem com a opção de foto em padrão VGA (800×600 pixels), que é a opção preferida das pessoas por caber mais de 1000 fotos em um cartão de 1GB.

A DP1 promete acabar com o problema da qualidade de imagem em câmeras compactas. Ela Possuí um sensor Foveon de tamanho APS-C (que é o mesmo sensor que equipa as DSLR da marca), que é 12 vezes maior que um sensor comum de compactas. O sensor Foveon também é uma inovação da Sigma. Ele possuí três camadas especificas que são responsáveis, cada uma, por captar uma das cores primárias (vermelho, verde, azul). Nos sensores normais (conhecidos como Sensor de Filtro Bayer) existe um mosaico quadriculado onde as cores primárias ficam lado a lado. Para formar a imagem existe um processo de interpolação.

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Embora todos tenham recebido com certo entusiasmo o lançamento dessa câmera, o tempo passou e nada aconteceu. Muitos acharam que o protótipo mostrado nas feiras de fotografia do ano passado e desse, pudesse ter algum problema que a Sigma não estava conseguindo resolver. Depois de meses de mistério, a empresa se manifestou ontem (30/11) com um comunicado a imprensa. Segundo Kazuto Yamaki, chefe de operações da Sigma, realmente existiu um problema com o sensor da câmera, que comprometia a qualidade da imagem. Segundo o comunicado ainda não existe uma data certa para o lançamento da câmera, mas ao que parece todos os problemas graves foram resolvidos e o equipamento se encontra em fase de testes. Claro que é uma boa notícia e deixa alguns consumidores com a mão coçando.

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A Sigma DP1 vai ter uma resolução máxima de 14 megapixels e o sensor possuí a proporção 3:2 (igual ao do fotograma de 35 mm). Um detalhe que pode ser estranho a muitas pessoas é que a câmera vai vir com uma lente fixa (sem zoom) de 16mm (equivalente a uma 28mm por conta do fator de corte) e com abertura máxima de f/4. A distância mínima de foco vai ser de 30cm. Existem mais informações disponíveis no site da câmera, mas tudo são promessas e especulações. Só nos resta esperar pelo lançamento. Mas, que não se iludam os consumidores. Essa pequena gracinha deve custar muito caro.

Conto do Vigário (4)

Posted 26 November, 2007 in Equipamentos

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O grande problema do consumidor de produtos eletrônicos é, nem sempre, saber pelo que está pagando. Assistimos uma propaganda na televisão ou a vemos em uma revista de grande circulação e logo acreditamos que aquilo é verdade. Por conta disso é que câmeras como a TekPix e a Genius G-Shot são campeãs de venda e de reclamações dos consumidores. Muitos acabam pesquisando sobre o produto apenas depois que comprou e se deparou com uma verdadeira bomba.

Um exemplo dessa propaganda ilusionista (chamo dessa maneira por não ser totalmente falsa, mas por passar uma idéia errônea ao consumidor) pode ser encontrado no suplemento de natal da Revista Veja dessa semana. Segundo o guia de compra as compactas Lumix FX55 (Panasonic) e Cybershot T200 (Sony) são as únicas câmeras a venda no Brasil que fazem fotos em “Full HD“. Opa, para tudo, para tudo. Como assim fotos em Full HD?!? Ao ler a reportagem nos deparamos com a explicação do fabricante. As duas câmeras possuem como recurso fazerem fotos dentro da proporção 16:9 usando para isso a definição de 1920×1080 pixels.

Agora vamos entender a jogada de marketing. Aproveitando todo o confete que está sendo jogado no início das transmissões da TV Digital no Brasil, os fabricantes resolveram pegar uma carona em toda essa exposição na mídia. Então colocaram o tal de Full HD (High Definition) em suas câmeras. Mas, isso não é novidade em câmeras digitais, pois modelos mais antigos já tinham essa capacidade, e na realidade trás até um incômodo. Como o sensor das câmeras compactas trabalha na proporção de 4:3, usar uma proporção 16:9 (uma foto panorâmica) desconsidera boa parte do sensor. Então, os tais 1920×1080 pixels vai gerar uma foto de 2 megapixels. Essa definição para uma televisão é muita coisa, mas para fotografia é uma ninharia. Qual a vantagem de se ter uma câmera de 8 megapixels de definição máxima se o tal do Full HD vai gerar uma imagem de 2 megapixels?? Ou seja, é uma propaganda não totalmente enganosa, mas ilusionista.

Outro ponto é a chamada da reportagem. No topo da página tem o título: “As imagens feitas por essas câmeras tem qualidade profissional”. Me desculpe quem possuí um desses equipamentos, mas nesse ponto entra a questão da propaganda enganosa. A série T da Sony sempre teve problemas gravíssimos em relação a qualidade de imagem, inclusive com aberrações cromáticas, e a Panasonic, até pouco tempo atrás, não conseguia resolver o problema da quantidade anormal de ruído em suas fotos, mesmo usando lentes Leica.

Se você consumidor está pensando em comprar uma câmera fotográfica digital nesse natal, eu recomendo apostar em empresas que já estão atuando na fotografia há muitas décadas, por conta do conhecimento de causa na produção de seus equipamentos. A pesquisa é o fator decisivo para se fazer um bom negócio.

Distância focal e fator de corte nas digitais (9)

Posted 23 November, 2007 in Equipamentos

Uma característica interessante das câmeras digitais mais modernas, e que poucos entendem, é a presença do Zoom Ótico. Os fabricantes colocam na propaganda que uma determinada câmera possuí um Zoom de 5x ou 10x, quando na realidade esse é um dado que não explica muito das características da lente. Primeiramente cabe dizer que a lente, juntamente com o sensor e o processador (no sistema digital, claro) são o coração da câmera. Todo o resto que ela possa vir a oferecer são perfumarias que não vão chegar a influenciar a qualidade da foto produzida. No sistema analógico (filme) a lente sempre foi o mais importante (juntamente com um filme de boa qualidade). Fora à câmera com uma boa lente, o outro equipamento essencial é um cérebro bem treinado. Pense antes, fotografe depois.

Distância Focal

Para entender as características das lentes temos que entender os números que vêm escritos nelas. A informação gravada na caixa da câmera de que ela possuí Zoom Ótico de 3x não quer dizer nada se não conhecemos suas características. Vamos usar como exemplo a câmera analógica Canon EOS 300V. Ela vem de fábrica com uma lente 28-90mm. Essa numeração em milímetros indica a distância focal da lente. Com a lente em posição de 28 mm estou dizendo que a imagem percorre 2,8 centímetros do centro focal da lente até atingir o filme. Nesse mesmo contexto milímetros mais baixos indicam que a lente pode captar imagens mais amplas (grande ângular) e com mílimetros mais altos é possível fechar em maiores detalhes (tele objetiva). Para descobrir quanto de zoom a lente possuí é só dividir a distância focal máxima pela distância focal mínima. No caso da 28-90mm ela possuí 3x de zoom. Isso se mostra relativo a ponto de que uma lente 100-300 tem um zoom de 3x também, mas na prática aproxima muito mais o objeto fotografado do que a 28-90mm.

Câmeras que aparentemente possam ter zoom semelhante, podem ser completamente diferentes por conta das distâncias focais máxima e mínima.

Funcionamento nas digitais

A questão das lentes nas digitais é um pouco mais complicada. As lentes feitas para o sistema analógico mudam seu comportamento nos sensores digitais que são menores do que o fotograma de 35 mm (36×24mm). Porém, a imagem produzida continua sendo do mesmo tamanho. Então o padrão do filme continuou sendo aplicado as câmeras digitais, mas temos que respeitar as proporções. É isso que chamamos de fator de corte (ou crop) nas digitais. Por exemplo, uma câmera Canon com sensor APS (sensor com o tamanho de 23,7×15,63 mm que equipa a maioria das câmeras digitais reflex) vai sofrer um fator de corte de 1,6x. Então, uma lente de 50mm vai se comportar como uma de 80mm nas câmeras digitais.

Parece ser um pouco complicado, mas na verdade é simples. Sendo o sensor digital menor do que o filme ele vai ocupar uma parte menor da lente, mais ao centro, e vai gerar uma imagem do mesmo tamanho que um filme de 35mm. Como ele está desprezando as bordas da lente é como se a câmera já tivesse um zoom de 1,6x independente da lente. Então se eu usar a lente analógica da EOS 300V em uma digital a distância de 28-90mm se comportará como uma 44-144mm.

Para entender melhor esse conceito vamos ver algumas imagens

Imagine uma lente de 50mm (a mais comum que existe)

E essa lente colocamos em uma câmera com filme comum, onde a área de cobertura é de 36×24 mm.

E depois batemos uma foto com essa lente e o filme

Depois pegamos essa mesma lente e colocamos em uma câmera digital com sensor APS de tamanho 27,3×15,63mm. Note que o ângulo de visão do sensor em relação a lente diminuiu.

Depois fazemos a mesma foto com a mesma distância e a mesma situação. Notem o corte que a imagem vai sofrer.

As duas imagens tem o mesmo tamanho físico, mas o angulo da visão da digital é 1,6x mais fechado que a do filme e usando a mesma lente. Esse é o principio do fator de corte nas digitais.

Existem pontos positivos e negativos nessa característica. O negativo é que você perde a potência das grandes angulares (lentes mais amplas) sendo necessário adquirir lentes com milimetragem muito baixa (15mm). Os pontos positivos são que as tele objetivas ganham mais potência e as bordas das lentes (geralmente menos nítidas) não são aproveitadas pelo sensor, produzindo imagens com mais qualidade, que só seriam possíveis com lentes mais caras.

Nas digitais compactas

Nas digitais compactas o fator de corte é ainda maior por conta do minusculo sensor que elas possuem. A Fuji Finepix S6500FD possuí um sensor de 1/1,7” (um dos maiores entre as compactas) e uma lente de 6,2-66,7mm. Por conta do tamanho do sensor essa lente se comporta como uma 28-300mm dentro do padrão 35mm. Ou seja, um fator de crop de aproximadamente 4,5x.

Como em tudo na fotografia, a escolha da lente ideal tem a ver com o uso que se vai fazer. Se o maior uso da câmera é o de fotografar grupos de pessoas então uma boa grande angular é importante. Mas, se o objetivo for fotos de natureza deve-se priorizar uma boa tele-objetiva. Sempre lembrando que o mais acertado é investir em marcas tradicionais dentro da fotografia e nem sempre confiar em industrias de eletroeletrônicos que entraram no ramo por conta da fotografia digital.

Sensores fotográficos (5)

Posted 19 November, 2007 in Equipamentos, Tutoriais

Andando pelos sites intenacionais de fotografia acabo me assustando com a quantidade de novos lançamentos. Ainda fico surpreso em saber que câmeras fotográficas já ultrapassaram o patamar de objetos específicos para um específico e já se transformaram em adereços, como celulares. Hoje é comum que cada membro de uma família (principalmente nos Estados Unidos, Európa e Japão) tenham sua câmera fotográfica. Isso estrapola um pouco o campo da necessidade e entra no da vaidade. Quando a fotografia digital surgiu ela era primitiva e com várias deficiências (alguém se lembra das câmeras Mavicas da Sony?). Mas, essas deficiências foram sendo vencidas nos primeiros anos e hoje estamos em um patamar tecnológico em que é muito dificil surgirem novidades que possam fazer o consumidor trocar o seu equipamento. Como essas inovações são raras os fabricantes lanças novos modelos com mais e mais megapixels. Hoje encontramos adolescentes que querem trocar a sua câmera de 5 por uma de 7 ou 10 megapixels, mesmo que ele só faça fotos em VGA (800×400) para por no Orkut ou em algum blog. Os fabricantes vendem a definição como revolução tecnológica e qualidade de imagem, quando na verdade não é bem assim. Vários fatores interferem na qualidade de uma imagem digital e, entre eles, está o tamanho e o tipo do sensor de sua câmera fotográfica.

Sempre que realizo a análise de uma câmera fotográfica eu faço questão de colocar o tamanho do sensor da mesma. Pode parecer um detalhe técnico sem importância, mas a qualidade de uma imagem digital (que deveria ser o fator mais importante na avaliação de uma câmera) é determinada pela lente, processador interno da câmera e qualidade do sensor. Dentre os atributos de qualidade de um sensor temos que levar em conta o seu tamanho e o tipo.

Tipos de sensores

Nem todos os sensores de câmeras digitais são iguais. Eles possuem diferenças quanto a sua fabricação e consumo de energia. Veja os principais modelos existentes.

CCD (charge-coupled device) - é o tipo mais comum e equipa a maioria das câmeras compactas e DSLR. Apesar de sua qualidade de captura de imagem ser a melhor que existe ele consome muita energia e sua produção é muito cara.

CMOS (complementary metal-oxide-semiconductor) - sensores mais baratos e com baixo consumo de energia. Seus resultados costumam ser abaixo da qualidade do CCD, mas seu preço faz com que ele equipe a maioria das câmeras de baixa qualidade a venda no mercado (Tekpix, Genius G-Shot), mas é usado com sucesso nas DSLR da Canon, onde os fatores de qualidade da lente e do processador interno fazem a diferença.

Foveon - Sensor desenvolvido pela Sigma para equipar suas câmeras reflex. O Foveon se baseia em uma tecnologia de três camadas, onde cada uma é responsável por capturar uma das três cores primárias (vermelho, verde, azul). Nos sensores comuns as três cores são capturadas em uma única camada em forma de mosaico. Em sua última versão, que equipa a câmera SD14, cada camada possuí um pouco mais que 4 megapíxels somando um total de 14 megapíxels de definição máxima. Ainda não tive a possibilidade de ver a qualidade das imagens geradas por esse sensor por conta do recente lançamento.

O futuro - por mais que a tecnologia avance dia a dia, algumas surpresas ainda estão por vir. A Fuji está trabalhando em uma tecnologia muito parecida com a do Foveon e batizou seu projeto como Sensor Orgânico (CMOS Organic Image Sensor). Ele esta planejado para ser lançado em 2008 e, se fizer metade do que a empresa promete, vai tornar tudo que conhecemos como fotografia digital obsoleto.

Tamanho do sensor

Esse é um fator muito importante. Existem vários tamanhos de sensores no mercado. A norma dita que quanto maior o sensor melhor vai ser a qualidade da imagem. Isso acontece também por conta do tamanho do píxel. Quando dizemos que uma câmera tem 5 megapíxels estamos afirmando que existem 5 milhões de píxels em seu sensor. Quando um fabricante lança um novo modelo com 6 megapíxels, mas com o sensor do mesmo tamanho do modelo anterior, implica em diminuição do tamanho do píxel para que mais um milhão sejam alojados nesse sensor. O píxel é a unidade básica de captação de luz no sensor. Quanto maior for seu tamanho físico melhor será a qualidade da imagem. Veja na figura abaixo a relação de tamanhos de sensores disponíveis no mercado (essa figura foi retirada de um tópico do forum Mundo Fotográfico. Para ver o tópico e a figura em tamanho maior é só clicar aqui.

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Existem duas câmeras com sensores do mesmo tamanho que os antigos negativos de 35mm (Fullframe): as Canon Eos 5D (12 megapíxels) e 1Ds Mark (8 e 16 megapíxels). As demais se utilizam de sensores menores que causam distorções nas distâncias focais das lentes (fator de corte,ou crop, mas isso eu trato em outro post). O principal efeito causado pela diminuição constante do tamanho do píxel é o nível de ruído em fotos com pouca luz. O ruído é uma aberração cromática onde o píxel acaba se comportando de maneira errada e apresentando uma cor que não é a real, gerando uma granulação estranha na foto. Isso acontece com fotos onde o ISO é elevado.

Dá próxima vez que for comprar uma câmera fique atento para estes detalhes. O tamanho e o tipo do sensor da câmera podem oferecer um indicativo da qualidade do equipamento. Desconfie de equipamentos compactos com um zilhão de píxels e sensores pequenos. Hoje, 4 megapíxels seriam suficientes para suprir as necessidades de 90% dos usuários domésticos. As vazes, nem tudo que é mais moderno é melhor.

O que é ser profissional? (1)

Posted 12 November, 2007 in Equipamentos, diversos

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Andando pelo Orkut encontrei na comunidade Câmeras DSLR Brasil (uma das poucas comunidades sérias sobre fotografia dentro daquele ambiente) mais uma discussão sobre o que separa o fotógrafo profissional no fotógrafo amador. Em certo momento o Geraldo Garcia (fotógrafo e dono da comunidade) dispara o seguinte texto:

“É exatamente o que já falaram. Fotógrafo profissional é quem tem fotografia por profissão. Ponto!

Só para ilustrar e complementar vou citar umas ponderações minhas (tudo impressão e opinião maluca da minha cabeça baseada no que já presenciei). Primeiro alguns pontos importantes:

1) Chamarei de fotógrafo profissional no texto seguinte toda e qualquer pessoa que tira seu sustento da fotografia (de qualquer tipo). São profissionais, por exemplo, lambe-lambes, fotógrafos de guerra, de casamento, de publicidade, de “balada”, de moda, retratistas, etc.
2) Chamarei de fotógrafo amador toda pessoa que tem a fotografia por hobby e, conseqüentemente, se dedica a essa atividade com prazer (ainda que de forma esporádica). Não estou chamado de fotógrafos amadores as pessoas que levam uma compacta na viagem ou na “balada” para tirar fotos com os amigos. Fotógrafos amadores fotografam pelo prazer de fotografar e não somente para registrar momentos.

Bom, dito isso, solto a bomba: Se eu desse nota de 1 a 10 para a todo fotógrafo que conheci até hoje e fizesse médias separadas dos profissionais e dos amadores, acho que os profissionais teriam nota média em torno de 5 e os amadores em torno de 7. Sério mesmo.

Algumas das melhores fotos que já vi foram feitas por profissionais, mas praticamente TODAS as piores também.

Não me excluo dessa conta! Parte do “ser profissional” é saber entregar a foto suficientemente boa para o serviço, no tempo certo e com preço justo. Produzir qualidade absoluta e “obras primas” a cada trabalho não é possível, não é importante e nem sábio. Por conta disso dou nota 7 e até 6 para muita coisa que faço profissionalmente. É raro ser contratado e pago para entregar nota 10, mas claro que quando acontece é que o bom profissional se destaca.

Via de regra fotógrafos “amadores avançados” sabem muito mais de fotografia que fotógrafos profissionais e os profissionais sabem muito mais sobre “como matar o leão” e como tirar leite de pedra no sufoco do que os amadores.”

Ou seja, fotografia de qualidade não é, necessariamente, feita por aquele cara profissional que tem uma Nikon D2x. Pode ser feita por aquele cara que tem uma Fuji F5200 e tem a fotografia como prazer. Aprendam a diferença.

O Mistério dos Orbs (2)

Posted 7 November, 2007 in Equipamentos, diversos

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Algum tempo atrás eu tive o privilégio de ler o livro “O Mundo Assombrado pelos Demônios” do astrônomo americano Carl Sagan (1934-1996) onde a principal meta do autor era descobrir porque o mundo moderno ainda se aprofunda em crenças e superstições por mais que a ciência avance. Na obra Sagan elege a ciência como uma vela que tenta brilhar em um mundo escuro e assombrado por velhas crenças, fanatismos e superstições. Nas palavras do autor “as conseqüências do analfabetismo científico são muito mais perigosas em nossa época do que em qualquer outro período anterior, devido aos perigos potenciais dos avanços tecnológicos na vida cotidiana, quando mau utilizados” (pg 21). Sagan foi um dos grandes divulgadores da ciência de nossa atualidade e foi criador e apresentador do programa Cosmos, que trazia semanalmente uma grande curiosidade da galáxia.

Estou escrevendo essa pequena introdução porque na semana passada um amigo meu pediu para responder a uma pergunta sobre máquinas fotográficas digitais no Yahoo!Respostas e depois de fazê-lo dei uma passada pelos outros tópicos da seção de fotografia. Além de me ver diante das perguntas mais bizarras, sendo respondidas de maneira igualmente bizarra, me deparei com um tópico que em qualquer fórum sério de fotografia seria tratado como piada. Um rapaz queria saber sobre os Orbs e se eles realmente existiam. Sem saber bem do que se tratava comecei a procurar na internet e me deparei com uma infinidade de páginas relacionadas a isso.

O caso é o seguinte, uma quantidade anormal de pessoas que se dizem civilizadas acreditam que pequenas manchas brancas de forma esférica que aparecem em algumas fotos digitais são seres de outras dimensões que são captados pelo sensor das máquinas. Tentei encarar as páginas como brincadeira, mas lendo um pouco mais ví que essas pessoas falam sério e isso me deu medo. Vejam alguns exemplos:

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Para quem não sabe essas pequenas esferas são comuns em máquinas digitais compactas onde a lente não tem uma qualidade muito boa e o flash embutido fica em um ângulo errado para com a lente. Esses Orbs nada mais são do que o reflexo do flash em partículas em suspensão no ar. Até pequenos grãos de poeira podem causar esse efeito. Em vez de perguntarem a um profissional sobre o problema as pessoas preferem acreditar em gnomos (mais ou menos como a Xuxa). Nesse aspecto a ignorância científica das pessoas cria superstições e lendas.

Carl Sagan morreu defendendo a postura científica contra a ignorância, mas ao que parece o seu último livro tinha razão. Quanto mais evoluímos, mais supersticiosos e ignorantes nos tornamos. Tomara que alguém como ele surja logo para tomar seu lugar.

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PS1 - Vejam alguns sites muito “sérios” que tratam dos Orbs

http://www.metawake.info/pages/orbs.html

http://www.portais.org/_enr/orbs/index.htm

PS2 - Se você não conhece O Mundo Assombrado pelos Demônios eu indico uma leitura urgente. Escape do fanatismo e da superstição. Sagan é o melhor remédio.

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